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Carnaval 2008

Abolição 120 anos

 

 

 

ABOLIÇÃO 120 ANOS

AXÉ MINHA BAIANAS

Um dos grandes símbolos da resistência da cultura negra e do samba está na imagem de uma Baiana. Presença obrigatória em toda escola de Samba e tradução artística da força da mulher negra, é inegável que as Baianas merecem um aplauso especial em todo Carnaval.


Por Fernando Penteado,

Salve a simpatia das Baianas, estas jovens senhoras que, com sua graça e malemolência, nos envolvem e nos levam a crer que Deus existe. Axé minhas Baianas, que, no rodopiar da suas sete saias, nos dá a proteção para o samba nosso de cada dia, samba este que elas souberam proteger e abençoar, com garra e sabedoria. Graças a essas divinas senhoras, o nosso bom e envolvente samba está no mais alto patamar da cultura brasileira. Na época em que falar de samba era crime, elas o trouxeram para dentro do seu terreiro e o cultuaram acompanhadas de muita gente bamba. Simples batucadas e cantorias ecoavam do terreiro de Tia Ciata – uma das muitas baianas que emigraram para o Rio de Janeiro, sendo ela a pioneira em promover grandes noitadas de batucadas e cantoria.
Por mais longe que esteja uma escola de samba, não importa o enredo, não importa a nacionalidade – sabemos que os desfiles das escolas de samba já atravessaram fronteiras – lá estão elas, nos seus trajes suntuosos, sob a proteção dos orixás, contidos em seus panos da costa.

Varias homenagens já lhes foram prestadas. Já lhes ofereceram canções, versos, livros, sua imagem já serviu de modelo pelos mais diversos e renomados pintores e escultores. Mas temos certeza que por mais que se tente homenageá-las, sempre ficam faltando adjetivo para expressarmos nosso respeito a elas, que são presença obrigatória nas mais diversas manifestações da cultura afro-brasileira.

O samba paulista tem uma peculiaridade ímpar em sua formação: é eminentemente caipira, tendo seus precursores vindos dos mais diversos municípios paulistas, a exemplo de Pirapora, Amparo, Campinas, Tietê, Piracicaba, Batatais e outros de igual importância. E, quando aqui chegaram, se espalharam por diversos bairros da capital, sendo que os homens iam trabalhar com serviços que requeriam força bruta. E as mulheres iam ser domesticas e cozinheiras, nas casas de pessoas da alta sociedade paulistana.

Muitas destas simples quituteiras ficaram famosas, por oferecerem um serviço de alta qualidade, e com isto seus serviços passaram a ser disputadíssimos. Não demorou para que as tias quituteiras escrevessem seus nomes no cenário do samba paulistano, pois elas conciliavam o trabalho com a diversão, e promoviam grandes encontros com os bambas do samba paulistano em suas casas onde, em conjunto com outras quituteiras, promoviam grandes rodam de batuque e samba, regados com muita comida e muito samba de primeira. Assim eram nossas queridas tias quituteiras, hoje nos enchendo de orgulho, sendo representadas pela ala das Baianas.

Em cada rodopiar de suas setes saias, espalha-se bons fluidos pelos ares, nos dando a proteção divina para um bom desfile. As Baianas são mais que personagens dessa história: são alicerces. Desde tantos anos atrás, e pelos próximos 120 anos, com toda certeza.

Fernando Penteado
Presidente da Embaixada do Samba Paulistano

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